Fibra óptica oca dobra velocidade da banda larga

Pesquisadores da Universidade britânica Bath University divulgaram um trabalho científico em que conseguiram dinamizar o processo de produção de fibras ópticas ocas, que são muito mais eficientes no transporte de dados e de informações.

Isso significa uma velocidade ainda maior para conexões de banda larga. A agência especializada Inovação Tecnológica explica que são mais eficientes que as comuns porque a luz caminha muito mais rápido no ar que no material de vidro ou de cristal - que compõem as fibras ópticas usadas atualmente.

Fibra óptica oca

Segundo o estudo, a nova fibra criada reduziu a dispersão da informação em um fator de quase pela metade - ou seja, a velocidade de transmissão foi basicamente duplicada. A nova tecnologia pode ser especialmente interessante para a indústria de equipamentos médicos, pois é possível levar luz para partes internas do corpo humano nunca atingidas anteriormente.

As fibras ópticas parecem ser o supra-sumo das tecnologias de telecomunicações em banda larga e muitos aficcionados de informática adorariam ter uma conexão assim para sua internet rápida. E elas são realmente o estado da arte na transmissão de dados. Só que os cientistas sabem que elas podem ser melhoradas.

 

Fibras ópticas ocas

O que pode ser melhor do que uma conexão de fibra óptica? Uma conexão que utilize fibras ópticas ocas. Acontece que o cristal ou o vidro de que as fibras ópticas são feitas não são o meio mais eficiente de se transmitir a luz. O ar, por exemplo, é muito melhor.

"Nas fibras ópticas normais a luz viaja em um pequeno núcleo cilíndrico de vidro ao longo de todo o comprimento da fibra. O fato de que a luz tem que viajar através do vidro limita essas fibras de muitas formas. Por exemplo, o vidro pode ser danificado se houver luz demais," explica o professor Jonathan Knight, da Universidade de Bath, na Inglaterra.

 

Fabricação mais fácil

O problema em se substituir o vidro por ar é que apenas um tipo especial de fibra óptica consegue guiar a luz através de um buraco oco, preenchido apenas com ar. Essas fibras utilizam um padrão bidimensional de minúsculos furos ao redor de um núcleo central maior para aprisionar a luz.

E fabricar essas fibras ainda é muito complicado e caro. Ou, pelo menos, era. Agora, o Dr. Knight e seus colegas, descobriram uma forma de fabricar fibras ópticas ocas que consegue reduzir o processo inteiro de uma semana para apenas um dia.

 

Mais comprimentos de onda

O novo método de fabricação torna a parede de vidro ao redor do furo maior muito mais fina, medindo apenas alguns nanômetros de espessura. Essa simples modificação aumentou enormemente a quantidade de comprimentos de onda que a nova fibra consegue transmitir.

Os testes iniciais mostraram que a fibra óptica oca fabricada pelo novo processo é superior às fibras ópticas tradicionais em todos os aspectos, abrindo caminho para uma nova geração de fibras ópticas que poderá ampliar ainda mais a largura de banda disponível para os internautas, bem como para todos os outros ramos das telecomunicações.

 

Luz para a medicina

Como consegue transmitir uma quantidade de luz muito maior, as novas fibras ópticas ocas também poderão dar um novo impulso ao ramo dos equipamentos médicos.

"Na pesquisa biomédica, nós podemos usar essas fibras para enviar luz para diagnóstico ou cirurgia em qualquer lugar - mesmo nos pontos mais internos do corpo humano," diz o Dr. Knight.

Bibliografia:
Control of surface modes in low loss hollow-core photonic bandgap fibers
R. Amezcua-Correa, F. Gèrôme, S. G. Leon-Saval, N. G. R. Broderick, T. A. Birks, J. C. Knight
Optics Express
January 2008
Vol.: 16, Issue 2, pp. 1142-1149